As estrelas eram tantas que, às tantas, lhe perdemos a conta. Deixámos de pensar quem substituía quem ou que táctica o treinador escolhera. Quem foi ao Estádio Algarve só queria mesmo era estar perto dos seus ídolos e ajudar. Vendo aquele amontoado de estrelas, ninguém diria que em campo estiveram alguns dos melhores jogadores do Mundo. Talvez porque estejamos demasiado habituados a levar o futebol a sério e nos seja estranho ver craques a falhar tantas jogadas ou a actuar a um ritmo tão baixo. Será que nos esquecemos que o futebol não é só competição? O que vale é que os jogadores parecem não ter esquecido e riram-se uns dos outros, abraçaram-se e, claro, mostraram alguns dos seus toques de magia. Foram tímidos, mas encantaram o público, que elegeu Figo, Cristiano Ronaldo e o brasileiro Ronaldo como os favoritos.
Não houve jogadas de mestre nem golos de levantar o estádio, mas também não era isso o mais importante. O objectivo era angariar fundos para a construção da primeira casa Ronald McDonald em Portugal. A ideia vai além da possibilidade de criar um sorriso numa criança que fica maravilhada com as jogadas dos craques. Os atletas decidiram abdicar de um dia de férias, que estão no fim, para se reencontrarem com os amigos, se divertirem a fazer o que mais gostam e ainda proporcionarem melhores condições para as crianças.
Este ano faltou um Schumacher que surpreendesse, mas houve um Sheik (Al Maktoum) esforçado, que ainda arrancou alguns aplausos. Houve uma ou outra arrancada de Luís Figo, um par de insistências de Cristiano Ronaldo, dois golos de Ronaldo, um Jestrovic, cheio de raça, que deu nas vistas, e uma mulher. Cátia Cerqueira, vencedora de uma iniciativa da Vodafone, invadiu o mundo dos homens, a dois minutos do final.
Os dois golos do avançado do Real foram marcados ainda na primeira parte. O primeiro começou no «maestro Figo», que lançou Abel na direita. O bracarense cruzou e Ronaldo quase nem teve de mexer-se, porque estava no sítio certo, na hora certa. No segundo veio à tona o talento de um senhor chamado Ronaldo, que se isolou e retirou adversários da frente. A bola partiu fraca, como que a hesitar entrar na baliza. Parecia mesmo que não ia entrar, mas o poste direccionou-a para o fundo das redes. O golo da Fundação Ronald McDonald chegou no segundo tempo, através de uma jogada de Pennant finalizada por Jestrovic (61).
O público não esteve muito entusiasta, durante a primeira parte. Aqui ou ali ouviram-se incentivos a alguns nomes, mas nos segundos 45 minutos decidiu acordar e os aplausos e a «onda» marcaram presença no estádio. Até houve direito a assobios. De repente, o estádio do Algarve acordou e foi bonito ver-se e ouvir-se o movimento das pessoas. O recinto não estava cheio. Aliás, havia muitas clareiras, mas a festa do futebol, a cor e a alegria de vibrar com as jogadas dos artistas passaram pelo Algarve.
Para quem leva o futebol mais a sério fica o resultado: 2-1, vitória da Fundação Luís Figo. Mas avisa-se que não houve vencidos. Apenas vencedores, todos os que passaram pelo Estádio Algarve e as crianças que vão beneficiar com as verbas recolhidas.